O Novembro Azul na iC Construtora

A construção civil é um ramo que emprega em sua maioria homens – 89,67% dos 2,12 milhões de trabalhadores brasileiros no setor em 2016, segundo dados do Ministério do Trabalho. E todos eles correm risco de ter diagnosticado câncer de próstata.

Isso, porém, não significa que todos terão a doença, mas que todos devem estar conscientes dos riscos que correm se não fizerem os exames necessários. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), só em 2018, foram 68.220 novos casos, com uma 15.391 mortes.

A doença é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele, e as maiores vítimas são homens a partir dos 50 anos. Entre os grupos de risco estão aqueles com casos na família.

Ainda que o Sistema Único de Saúde dê amplo acesso aos diagnósticos e tratamentos contra o câncer de próstata e mesmo que os números sejam preocupantes, o machismo e o preconceito continuam causando mortes e destruindo famílias ano após ano.

Essas duas barreiras são as principais causas da descoberta tardia que prejudica o tratamento e reduz drasticamente as chances de cura.

Roberto Henrique da Silva: psicólogo.

“Homens precisam quebrar o paradigma do machismo e do exatamente do preconceito. É importante que a gente caminhe avançando e rompendo com essas ideias atrasadas”, aponta o psicólogo Roberto Henrique da Silva, da R A Clínica de Medicina Ocupacional.

Tanto Roberto quanto o clínico geral e médico do trabalho Alcineu Nunes de Andrade Filho, desempenham papel fundamental na conscientização sobre o câncer de próstata. Ambos deram palestras sobre o tema aos operários que atuam nas obras dos edifícios Uno, em Itaparica, e Montrachet, na Praia da Costa, a convite da iC Construtora.

E por que exatamente há tanto preconceito? Por conta do exame de toque retal – a próstata é uma glândula que apenas homens possuem, localizada estrategicamente logo abaixo da bexiga e à frente do reto (porção final do intestino grosso).

Alcineu Nunes: médico do trabalho.

“Todo homem quando atinge em média 40 anos tem de procurar o urologista para fazer exames de rotina. Eles incluem o PSA (sigla para Prostate-Specific Antigens, ou antígenos específicos da próstata em português) e o toque, principalmente o toque”, ressalta Alcineu Nunes.

Como dito anteriormente, casos na família devem ser levados em conta e isso reduz de 40 para 35, em média, a idade em que o acompanhamento periódico deve ser iniciado.

“O histórico é um agravante que já indica predisposição natural ao desenvolvimento da doença” reforça Roberto, que acrescenta ainda outros fatores de risco: “idade avançada, obesidade, alimentação desequilibrada, tabagismo, diabetes, pressão e colesterol altos e o sedentarismo”.

Durante a palestra, os médicos apresentaram imagens e passaram aos trabalhadores todas as informações necessárias de forma didática, sempre alertando para situações em que os funcionários se enxergassem em relação à família que possuem. Tudo isso para vencer o preconceito.

“Demos exemplos, mostramos fotos, gravuras, abrimos espaço para perguntas e deixamos reflexões a respeito da família, como ela merece todo esforço contra preconceitos e pensamentos antiquados. Quando falamos de câncer estamos falando de vida”, destacou o psicólogo.

Alcineu comparou a forma como a prevenção ao câncer de próstata é encarada pelos homens, enquanto as mulheres lutam sempre pelo amplo e irrestrito acesso aos exames para identificar o câncer de mama.

“É preciso que a mulher, a esposa, a companheira desses homens insistam sem cessar para que eles façam os exames periódicos anuais. Muitas insistem e ainda assim eles não procuram o médico. Alguns funcionários inclusive contaram sobre os pedidos que suas companheiras fazem em casa”, recordou Roberto da Silva.

Eles apontaram ainda para a característica de, em alguns casos, a doença ser assintomática ou se manifestar através de sintomas comuns a outras enfermidades.

“Em alguns casos, os sinais são a hiperplasia prostática (crescimento benigno da próstata), comum em idades avançadas, dor ao urinar ou sua excessiva vontade durante o dia ou à noite, sangue na urina”, pontuou Alcineu Nunes.

Os especialistas comemoraram a iniciativa e disseram estar satisfeitos com a recepção e a reação dos ouvintes. Para o diretor-executivo da iC Contstrutora, Bruno Canal, é fundamental batalhar por mais conscientização.

“O principal é a prevenção. Já tive a oportunidade de ver pessoas que por falta de instrução e prevenção, infelizmente acabam contraindo doenças.  É preciso sempre conscientizar prevenir para não ser tarde demais depois”, disse.

Roberto durante palestra aos trabalhadores da iC Construtora.

A iC Construtora já realizou outras campanhas de conscientização sobre vários temas e a ideia, segundo Bruno Canal, é sempre manter esse canal aberto.

“Eu sempre digo que ser empresário e construtor é muito mais que construir e vender. Temos uma responsabilidade social muito grande com nossos funcionários. A ideia de trazer essa palestra sobre câncer de próstata é poder trazer conhecimento e conscientização para minha equipe. Às vezes muitos têm vergonha e não se informam ou fazem o exame de toque, então a ideia foi em um ambiente de trabalho, durante alguns minutos, um especialista poder passar todo seu conhecimento para agregar a equipe”, destacou.

As palestras promovidas pela iC Construtora, em parceria com a R A Clínica de Medicina Ocupacional, terão continuidade e você pode ficar sabendo de tudo sempre aqui em nosso blog. Ter saúde é ter qualidade de vida, tanto para nossos clientes quanto para nós mesmos.